Poema "Ecos de Uma Flor de Lis".

 


"Ecos de Uma Flor de Lis"

Em tempos idos, um amante e eu nos perdíamos
Entre as notas suaves de Djavan,
Como uma flor de lis que, após as carnalidades,
Teimava em florescer, mesmo sob a sombra da vida,
Que ressecou e, por fim, morreu.

Recordo momentos, lindos como a alvorada,
Nós, cantores de um amor,
Desenhando na brisa a cena de nossas bocas,
Mas veio a frenesi cotidiana,
O espectro implacável do capitalismo,
E eu, que sou marxista,
Atraído pelos fios do destino.

As cartas ciganas revelaram uma Árvore,
Mas outros caminhos mostraram-me o chicote,
O urso, a criança;
O baralho não mente,
É da cigana assertiva,
E eu, imune ao encanto da vênus bailarina,
Que dança, dança e me faz perder a razão.

Nestes tempos, vivenciei a poética de Gaia e Cronos,
A terra e o tempo entrelaçados no caos.
Senti, no âmago, Caetano entoar:
“É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho.
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes.”

São muitos os narcisos que nos cercam,
E eu também, em meio a este espelho quebrado,
Mas pela arte de perder que não é mistério,
Tornei-me ecoista.

A beleza é perigosa, o mundo é traiçoeiro,
E tudo é divino e maravilhoso?
Não, isso é um engano;
Na verdade, somos todos erráticos,
Navegantes de mares revoltos,
Buscando nas ondas a essência do ser.

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Pintura por Edward John Gregory
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Escrito por Juliana de Lima Melo - Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade do Estado do Amapá (UEAP), 2023. Macapá – AP
E-mail: julianallnsmelo@gmail.com.

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